Ritmo, Corpo e Herança
Este Trabalho propõe uma reflexão sobre o mundo contemporâneo a partir da fotografia e da ancestralidade, tomando o carnaval brasileiro como uma forma coletiva de produção social, memória e herança cultural. A exposição esté sendo apresentada em um museu instalado em um castelo histórico, estabelecendo um diálogo entre a arquitetura marcada pela tradição europeia e imagens oriundas de manifestações populares do contexto urbano brasileiro. As obras se materializam em sacolas de papel estampadas com fotografias de carnaval — um suporte cotidiano e transitório que contrasta com a permanência simbólica do espaço museológico. O trabalho desloca o carnaval do campo do espetáculo para o da reflexão, propondo uma leitura sobre a circulação de imagens, identidade cultural e a ressignificação da memória em diferentes contextos históricos e geográficos.

Materialidade das sacolas com fotografias

 

    • São 18 sacolas de papel com as fotos impressas. As sacolas ficam em pé sozinhas, não precisando de suporte, podendo ficar sobre uma mesa, no chão, reunidas ou espalhadas pelo espaço expositivo. Dentro dessas sacolas estarão objetos deixados pelos foliões na avenida, recolhidos após o desfile. Serão também produzidos 3 carimbos para uma oficina de “carimbagem” e mais dois imãs de geladeira para disponibilizar para o  público visitante. Cada sacola mede altura 41 cm, largura 19 cm, espessura 7,5 cm.

Em Burg Zu Hagen

Uma semana em Hagen, entre a montagem da exposição, encontros com outros artistas e pessoas que fizeram parte desse processo.
Entre paredes, imagens, sacolas e objetos, a obra foi encontrando seu lugar.
O que antes existia como projeto passou a ganhar corpo diante dos olhos.
Uma experiência intensa de troca, criação e presença, que agora faz parte de Ritmo, Corpo e Herança.

Fachada do Castelo

Fotografias

 

Minha fotografia nasce do encontro com o que está ao redor: lugares, pessoas, objetos, acontecimentos, luzes e pequenos instantes do cotidiano.
Fotografar é uma forma de olhar — perceber aquilo que poderia passar despercebido e transformar o encontro em imagem.
Há sempre uma relação entre o acaso e a escolha, entre aquilo que encontro e aquilo que reconheço.
As fotografias guardam esses encontros como vestígios de um tempo vivido, vistos e reinventados pelo meu olhar.

Fraguimentos de uma festa

Depois da festa, permanece o que foi deixado pelo caminho.

Ao final dos desfiles, recolhi na avenida pequenos fragmentos: pedaços de fantasias, materiais, objetos e vestígios de uma celebração que acabava de passar.

Esses restos carregam a memória do movimento, do trabalho e da presença de tantas pessoas. Guardados dentro das sacolas, deixam de ser apenas resíduos e passam a fazer parte da obra.

São fragmentos de um tempo vivido, recolhidos no silêncio que sucede o ritmo da festa.

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